ACASO online

Ensaios da quarentena

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  • Leituras complementares

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  • Certificado

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14/09 - 19/10

de 19h a 20h30

terças-feiras

aula online via Zoom

o curso

Em 2016 o dicionário de Oxford definiu a nossa época através da locução pós-verdade, o que significa que, dada a enorme quantidade de opiniões circulantes nas sociedades contemporâneas, importa menos se alguma delas é verdadeira do que os apelos emocionais, políticos, ideológicos, culturais que nelas se contenham. As opiniões estariam obedecendo a um regime de ‘consumo de imagens’ numa sociedade em que tudo está posto para consumo: bens, valores, corpos, subjetividades, dimensões imateriais de toda ordem. De um ponto de vista filosófico, isso significa que a verdade deixou de ser o critério de enunciação e recepção dos discursos – nos termos utilizados pelos pensadores pós-modernos (décadas de 1980-1990), temos aí o ‘fim da verdade’.


A filosofia tem sido a disciplina definidora dos regimes de verdade desde pelo menos o século IV a.C., através da produção de grandes sistemas de pensamento abrangendo todas as dimensões do mundo e da vida. A pós-verdade representaria a falência desses sistemas. Dito de outro modo: a verdade ter-se-ia tornado impossível. Este curso destina-se a ensaiar modos de pensamento não-sistêmico, ligados diretamente ao mundo e à vida, e não abstratamente às lógicas dos sistemas filosóficos. Os temas de reflexão propostos são: a pandemia, a pobreza, as polarizações e o ódio, e o terror. A hipótese é a de que a ligação do pensamento diretamente à vida engendra formas de verdade que escapam à confusão das meras opiniões.

estrutura

Aula 1

Dois modelos para a verdade: a dinâmica do real e o discurso. Crise da verdade, pós-verdade: pensamento e vida. Temas para reflexão: a pandemia, a pobreza, as polarizações e o ódio, e o terror.

Aula 2

Sobre a pandemia: um tsunami existencial

Aula 3

Sobre a pobreza: a desqualidade da vida

Aula 4

Sobre as polarizações e o ódio: a falta que o meio faz

Aula 5

Sobre o terror: o medo nosso de cada dia

professor

Marcio Tavares d’Amaral é professor titular emérito da Escola de Comunicação da UFRJ, onde desde 1971 dá aulas na graduação e na pós-graduação, orienta dissertações de mestrado, teses de doutorado e atividades de iniciação científica. Em 1981 fundou o Programa de Estudos Avançados – IDEA/ECO, que dirige desde então, coordenando, dentro do IDEA, o LHSP – Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento. Seus estudos concentram-se hoje nas áreas de Comunicação, História, Filosofia e Religião, com ênfase na procura por uma resistência não reativa nem ressentida à pretensão pós-moderna ao discurso único globalizado. Para tanto, investiga as origens e o desenvolvimento da cultura ocidental, herdeira dos paradigmas grego e judaico, nas suas relações entre razão e fé, ou entre filosofia/ciência e religião, tendo como pano de fundo a atual passagem de uma cultura da comunicação (fundamento-real-verdade-sentido) para uma cultura da informação (eficácia-virtual-simulacro-consumo). É autor destes recém lançados Ensaios da Quarentena, da série Os assassinos do sol: uma história dos paradigmas filosóficos (nove volumes, 2015-), de Comunicação e Diferença: uma filosofia de guerra para uso dos homens comuns (2004), além de outros 20 livros, nas áreas de Comunicação, Filosofia, História da Filosofia, romance, poesia e biografias históricas.