
AGENDA
CARANGUEJA, DE TEREZA SEIBLITZ
O feminino em constante transformação
Encerrando o projeto Solos femininos, a Acaso Cultural apresenta CARANGUEJA, um monólogo que atravessa corpo, linguagem e imaginação para pensar o feminino em constante transformação. Em cena, acompanhamos uma mulher de origem e tempo imprecisos, atravessada por múltiplas vozes que ecoam como se estivéssemos dentro de sua cabeça — anúncios de aeroporto, notícias de jornal, programas de rádio, receitas domésticas. Essas vozes desenham pistas, fragmentos e deslocamentos que conduzem a uma experiência de metamorfose.
Ao longo da ação, essa mulher passa a habitar um limiar instável entre humano e crustáceo, entre mulher e carangueja. A peça constrói esse processo a partir da imagem do manguezal — bioma do encontro entre rio e mar, território fértil e ambíguo — como metáfora da força vital criadora da Terra e das existências que se formam no atrito, na mistura e na resistência.
Escrita por uma mulher atriz e co-dirigida por uma mulher trans, CARANGUEJA lança luz sobre as múltiplas “mulheridades” que compõem o mundo contemporâneo. A figura da andarilha emerge como uma espécie de guerreira de corpo forte, capaz de atravessar adversidades e surpreender o inimigo. Com humor e poesia, o espetáculo percorre temas como feminino, maternidade, gênero, antropocentrismo e desigualdade social, sem perder o jogo cênico e a escuta do corpo em transformação.
Idealizada, escrita e interpretada por Tereza Seiblitz, a peça articula palavra, movimento e presença em uma dramaturgia que se constrói no tempo da cena. A direção, assinada por Fernanda Silva e pela própria atriz, dialoga com uma encenação física e sensorial, com direção de movimento de Denise Stutz.
Solos femininos é um projeto realizado ao longo de todo o mês de março na Acaso Cultural, com apresentações sempre às quintas-feiras, às 20h, reunindo monólogos protagonizados por atrizes e evidenciando diferentes trajetórias, linguagens e pesquisas autorais.
